“My Friends”, de Fredrik Backman: um livro que eu li devagar de propósito

Escrito por

em

Tem livro que a gente lê rápido só para saber o que acontece. E tem livro que a gente força a ler devagar, porque sabe que quando acabar vai sentir falta dele. My Friends foi o segundo tipo para mim.

Já vinha com uma expectativa alta Backman tem esse jeito de escrever que parece simples até você perceber que uma frase te pegou de jeito sem avisar. E esse livro não foge disso, só que dessa vez o tom é mais melancólico do que o humor mais evidente de Um Homem Chamado Ove ou Pessoas Ansiosas.

A história, sem spoiler

O livro caminha em duas linhas do tempo. No presente, conhecemos Louisa: uma garota prestes a completar 18 anos, que cresceu passando por vários lares adotivos e está de luto pela melhor amiga que perdeu nesse caminho. A única coisa de valor que ela carrega é um cartão-postal com a reprodução de um quadro famoso o primeiro objeto que ela roubou na vida, e também o primeiro objeto bonito que ela realmente teve. Um encontro imprevisível a leva até Ted, amigo próximo do artista que pintou esse quadro, e os dois embarcam numa viagem até o litoral onde tudo começou.

Do outro lado, voltamos vinte e cinco anos, para um verão numa cidade portuária dura, onde quatro adolescentes Ted, Ali, Joar e C. Jat se encontravam todo dia no cais. É desse verão que nasce o quadro que, décadas depois, vai amarrar as duas histórias.

O que mais me pegou

O que fica comigo depois de fechar esse livro não é bem a trama é a sensação. Backman constrói a amizade dos quatro garotos com tanto detalhe pequeno que, quando as coisas começam a doer para eles, dói pra mim também. Não é um tipo de dor barulhenta; é mais aquela sensação de reconhecer alguma amizade da sua própria vida numa página de ficção.

E tem esse fio sobre arte que eu adorei: para os quatro amigos, e depois para a própria Louisa, criar alguma coisa um quadro, um grafite numa parede vira um jeito de sobreviver ao que a vida tem de mais difícil. Não é só um livro sobre amizade. É um livro sobre como um objeto de arte consegue carregar uma história inteira dentro dele, mesmo quando ninguém mais sabe que ela está ali.

Recomendo?

Se você já gosta de Backman, esse livro vai confirmar por que você gosta dele. Se nunca leu nada dele, talvez seja bom já entrar sabendo que o ritmo é lento e que o autor não tem nenhum medo de ser sentimental é ele sendo ele mesmo, só que numa versão mais triste.

Fechei o livro com aquela sensação de saudade de gente que nem existe. E acho que é exatamente isso que Backman queria provocar: lembrar que os amigos que a gente faz em certos momentos da vida deixam marcas mesmo décadas depois, mesmo quando a gente nem sabe mais onde eles estão.

Nota:

Avaliação: 4 de 5.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *